Free Mind – Vida com equilíbrio

Conciliar a busca pela prosperidade, felicidade, cultura e  liberdade permite que a pessoa viva o tempo presente e barre sentimentos que podem se transformar em fonte de frustração.

Por Márcia Maria Cruz
Fotos: PAULO FILGUEIRAS/EM/D.A PRESS

Depois de terminar um relacionamento de 21 anos, o empresário Sebastião Lago Jr, de 42, entrou em depressão. “Não estava esperando. Ela era certeza absoluta em minha vida”. A tristeza pelo fim da união se refletiu na vida pessoal e profissional. O rendimento caiu muito e ele não saía da cama antes do meio-dia. Com a autoestima baixa e sem nenhuma autoconfiança não tinha ânimo para nada. Para tratar do sofrimento, começou a tomar antidepressivo. “Estava muito chateado e deprimido”. Foi quando soube, por meio do perfil de uma amiga nas redes sociais, do curso Free mind.A psicóloga Clarissa Yakiara explica que as pessoas enxergam o mundo por meio de crenças, espécies de lentes, construídas nos primeiros sete anos de vida. Muitas vezes, são visões ilusórias, do tipo: “Homem não presta”, “Ela é mais bonita do que eu”, “Ele é mais produtivo do que eu”, “Eu não tenho tempo”, “Se eu fosse mais magra”, e muitas outras máscaras. São crenças familiares, sociais, financeiras e sexuais que impedem as pessoas de enxergar à sua volta com clareza, ou melhor, distorcem a realidade e colocam a pessoa na inércia. De acordo com a filosofia do curso, as pessoas precisam equilibrar quatro áreas da vida: prosperidade, felicidade, cultura e liberdade.A prosperidade não está relacionada apenas aos ganhos financeiros, como normalmente as pessoas associam. É preciso buscá-la na saúde, trabalho e  também nos aspecto material. A felicidade deve ser desenvolvida junto à família, amigos, nas relações amorosas e de trabalho. A cultura está relacionada aos estudos, livros, à arte e a toda parte mental. A parte espiritual, a filantropia, o serviço ao próximo contribuem para a liberdade. O Free mind oferece ferramentas para que as pessoas equilibrem as quatro áreas. VIGÍLIA PERMANENTE Para alcançar o equilíbrio, a dica é manter a mente focada no presente. Remoer fatos do passado ou criar expectativas para o que vai ocorrer é uma forma de criar ilusões. Estado de alerta e vigília constante com os pensamentos são importantes. “Não há diferença para o cérebro entre viver uma situação ou pensar sobre ela. São ativadas as mesmas áreas”, explica Clarissa. Isso significa que quando as pessoas voltam ao passado ou fazem projeções que não podem alcançar, o cérebro encara como se elas estivessem vivendo a situação.Como ficar sofrendo pelo que passou não é bom e esperar demais por algo pode ser fonte defrustração, o melhor é focar o pensamento no agora. Assim, você terá mais controle sobre a situação. Quando os pensamentos negativos aprisionam as pessoas, elas começam a somatizá-los. Os reflexos físicos fatalmente aparecerão. Durante o curso são apresentadas técnicas de meditação ativa para que as pessoas possam viver o tempo presente.Não dar vazão aos pensamentos negativos não significa inércia diante das situações que incomodam. Quando a pessoa está parada em um congestionamento, ela pode agir de duas maneiras. Postura bastante comum é se irritar e responsabilizar os outros motoristas, que são egoístas e dirigem mal, ou a prefeitura que não gerencia bem o trânsito. Outra maneira de reagir diante dessa situação é assumir a sua própria responsabilidade. “Você pode pensar em sair mais cedo para evitar o congestionamento. Você ainda pode olhar de maneira positiva: ‘que bom que tenho carro, tenho uma família’. “São maneiras diferentes para olhar para uma mesma situação”, ensina a empresária e instrutora do Free mind, Carol Yakuri.Na opinião da instrutora, isso não significa adotar uma postura de Poliana (aquela personagem que achava algo bom em todas as situações), mas focar na realidade que se pode mudar. A postura mais otimista frente aos problemas vai se refletir no relacionamento com a família, com os amigos, no trabalho. O curso será ministrado em Belo Horizonte em setembro. Para quem quer conhecer a proposta, será apresentada uma espécie de degustação em palestra gratuita também na capital. As instrutoras já ministram o curso em Santiago, no Chile; Cidade do México; Barcelona e Madri, na Espanha.No Brasil, foram formadas turmas em São Paulo; Chapecó, em Santa Catarina; Paracatu e Governador Valadares, em Minas. Sebastião, que é proprietário de empresa de marketing esportivo, sugeriu a criação de grupo de corrida, o Free Mind Runners, uma forma de aliar a saúde física à mental. Afinal, mente sã, corpo são e vice-versa.

Matéria veiculada em 28/08/2011 no caderno Bem Viver, Jornal Estado de Minas.

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